Ser Humano, Liderança, Religião, Sociedade e Espiritualidade

Publicado na coluna liderança e motivação da revista Empresário Fitness & Health
“Os seres humanos costumam punir aquele que fala a verdade, de fato nós colocamos nossos filhos de castigo se eles confessam que fizeram alguma besteira. No entanto o que fazemos é dar o exemplo perfeito de que a verdade é sinônimo de punição, logo que a verdade não é algo bom”

      Somos capazes das maiores barbaridades deste mundo e também das coisas mais espetaculares, somos capazes de enxergar que foram os americanos jogaram uma bomba atômica “na cabeça” dos japoneses, mas não enxergamos que o que o que fizemos foi jogar uma bomba sobre outro ser humano. Somos capazes de nos perguntar como alguém é capaz de jogar uma criança pela janela de seu apartamento, mas não percebemos que somos capazes, dependendo da circunstancia de fazer a mesma coisa. Não me diga que jamais faria isso, pois se alguém apontar uma arma para a sua cabeça e nas suas duas mãos estivessem os seus dois únicos filhos e ele pedisse para escolher para salvar a vida de um deles e sacrificar a do outro você faria a mesma coisa. A não ser que sacrificasse a sua própria vida.

      O ser humano aprendeu a julgar tudo, todos e a si mesmo, mas é incapaz de perceber que o julgamento entre “certo” e “errado” é o que não nos permite viver em paz. Não foi Hitler que assassinou milhões de Judeus, foi um ser humano que foi capaz de fazer isso com outros. Ele acreditava que estava fazendo a coisa “certa” ou que era para o bem de sua raça, então não me diga que você faria ou não faria alguma barbaridade para proteger o que acredita. Ou melhor, pare de acreditar que o “certo” e o ”errado” existem. Isso é uma blasfêmia!

      Quem disse que matar alguém em legitima defesa é “certo” enquanto o “moleque” de rua que rouba para matar a própria fome faz uma coisa “errada”? Em ambos os casos as pessoas estão tentando sobreviver. Quem disse que existe um modelo de comportamento? Quem disse que precisamos seguir regras? A sociedade? A religião? Eventualmente nos privamos de varias coisas com o nosso medo de pensar “o que os outros vão achar de nossas atitudes” e não percebemos que estamos nos aprisionando dentro do que acreditamos ser o ideal. Esse é o problema, nós estamos nos aprisionando dentro do que acreditamos. A maior prisão das pessoas esta no que ela acredita, ou seja, nas nossas mentes.

      O ser humano não tem medo da derrota, da tristeza ou da solidão. Ele tem medo do tamanho do seu poder, tem medo da sua grandiosidade, tem medo da sua vitória e não sabe o que fazer com tantas possibilidades de SER alguma coisa BOA.

      Nunca nos disseram que somos bons, pelo contrario, a televisão vende morte, violência, drogas e coisas que não servem pra nada a não ser nos distrair de nossas emoções e a sociedade ainda acredita que os valores, a ética e a moral é o que direciona o rumo de uma nação que visa prosperar. TOLICE! Onde esta o valor em um argumento de um líder que acha que a paz se faz com exércitos? Onde esta a ética humana sobre as outras pessoas se não conseguimos respeitar a nós mesmos? Onde esta a moral de um ser humano que faz milhões de promessas em uma noite de réveillon se no ano seguinte as mesmas promessas são feitas? Estamos tentando provar as coisas para os outros antes mesmo de conseguir provar a nos mesmo. Acha que é mentira? Então diga ao primeiro que encontrar: “eu vou mudar o mundo”. Sabe o que você vai ouvir? Essa resposta: “quem você acha que é para fazer alguma coisa desse tamanho?” Nós não acreditamos nos outros por que não conseguimos acreditar em nós mesmos!

      Nós queremos mudar o mundo fazendo o que sempre fizemos. Combatemos a violência com ignorância e nos achamos “evoluídos”, só que não somos nem INTELIGENTES para perceber o que fazemos ou não fazemos. Colocamos as nossas crianças nas melhores escolas mesmo sabendo que o que estudamos quando tínhamos a idade delas não serviu pra nada nos dias de hoje, e ainda temos a coragem de acreditar que iremos chegar a algum lugar. BURRICE.

      Nós não estamos olhando para a nossa causa, não estamos aprendendo nada, absolutamente nada. As pessoas esperam eleger alguém que vai salvar as suas vidas ou que irá dar um jeito na política, na economia ou no próprio condomínio e não enxergam que o que estão fazendo é empurrar goela a baixo a responsabilidade de mudar para uma pessoa que não sabe nem que existimos. E mais uma vez eu pergunto: onde vamos chegar?

      A mudança do mundo não vai chegar a partir do que nós fazemos para alcançá-la. O mundo vai mudar a partir do que somos para nós mesmos e para o próximo. A paz não esta no que fazemos, ela esta no que somos. O amor que buscamos não esta na outra pessoa, ele esta dentro de nós, portanto para mudar o mundo exterior, precisamos mudar, antes de tudo, o nosso mundo interior. Se vivermos DE competitividade jamais viveremos EM coletividade.

       A humildade não esta em reconhecer os erros e assumi-los, a humildade esta em saber que todos somos iguais e o maior re-conhecimento que podemos ter é o de que somos capazes das maiores barbaridades desse mundo e também das coisas mais maravilhosas, basta escolhermos quem queremos ser.

      Precisamos entender a nossa natureza e parar de tratar tudo com a razão. Sem entender quem somos jamais conseguiremos explicar o que fazemos, porque fazemos e onde queremos chegar com tudo que fazemos. Nós somos seres humanos e não “fazeres” humanos.

      A gente se acostumou a culpar as outras pessoas pelo que sentimos e não prestamos atenção no porque estamos sentindo. A decepção só existe porque esperamos algo que não veio, então PARE DE ESPERAR. Você é o culpado pela sua decepção, ninguém pediu para você esperar nada da outra pessoa, portanto não culpe o mundo por ser ele do jeito que é…

      A sociedade impões regras, valores, ética e moral; a religião prega o que é certo e o que é errado, o que é bom e o que é ruim; o ser humano tenta se esquivar desse bombardeio mental; e o líder sabe que isso tudo não passa de uma tentativa para aprisionar o que temos de melhor: a nossa essência.

 

1 Comentário

  • 05.09.11 10:01, João Gabriel diz:

    Excelente artigo caro amigo.
    Sou cristão católico, e vi no final vc dizendo que a religião prega o que é certo e o que é errado, como “alienação”.
    Bom, na própria Bíblia diz que as “obras de Deus são feitas duas a duas”, ou seja, o mal sempre de frente com o bem (como vc disse). Portanto, do mesmo interior que brota coisas boas, nasce coisas ruins.
    Pensava tb que a religião alienava, até mesmo a minha, mas mudei minha concepção quando fui tocado em um Encontro para Jovens, e descobri que o cristianismo, pelo contrário, nos liberta de conceitos pré-determinados da sociedade. E nos ensina a encontrar nossa essencia como pessoas. Assim como um pai instrui um filho a não cair no buraco, como função paterna, a Igreja, como Mãe, nos instrui para termos cuidado em querer ser tudo aquilo que se passa aos nossos olhos ou cabeça. É necessario discernimento.
    Ve-se os resultados terriveis de uma sexualidade deturpada, por exemplo. Filhos sem pais, indice de aidéticos aumentando, e é comprovado CIENTIFICAMENTE que a camisinha não é o melhor método de prevenção, mas sim a castidade (que tem obtido resultados excelentes, porém não reconhecidos pela ONU).
    A Igreja Católica é a instituição que mais investe em ciência no mundo, ou seja, busca sempre as vias de fato de comprovação das coisas do mundo.
    As vezes a mentalidade do mundo que é alienada por meios de comunicação, que buscam atacar, ofender e agredir a Igreja de forma covarde e, muitas vezes, sem fundamento.
    A Igreja não prende ninguem, mas ensiná-nos a não confundirmos liberdade com lbertinagem !
    Um grande abraço, e parabéns pelo trabalho querido !

    (Requerido)
    (Requerido mas não sera publicado)